Uberlândia à Serra da Canastra (Parte 4)

"Mais vale quem tem atitude do que dinheiro" - Breno Reis Alexandre

Caso não queira ler a história, basta clicar nos links abaixo e ver somente as fotos no album.


Serra da Canastra 17-09-2008



O dia é 17/09/2008, mas a aventura começa a um mês atrás.

Depois de tantas viagens e tombos e forçar muito minha motoca, ela do nada parou de pegar na partida, e o barulho que tinha no motor aumentou consideravelmente. Então resolvi mandar a moto para revisão, mas ao chegar lá, ela tinha bastante problema. Havia 3 parafusos soltos dentro do motor, biela batendo em cima e em baixo, balanceio empenado, placa de partida já era, 2 válvulas tinham ido para o espaço, sem falar na quantidade de peças bambas. Também né, viajei tanto tempo nesta máquina e nunca havia dado uma revisão no motor, a não ser quando eu comprei.

Depois que mandei dar um tapa no motor, começou os problemas. O mecânico não tava acertando a minha moto, tive que voltar lá mais umas 5 vezes até a moco começar a chegar no que eu queria. Pois, se paguei e paguei a vista, exijo um serviço de qualidade. Não sou enjoado, sou direito com minha coisas.

Chegou o dia da viagem, era 30 de agosto de 2008, fui eu abastecer minha moto e conferir o nível do óleo. Mandei encher o tanque e constatei que o reservatório de óleo estava vazio, fiquei preocupado e mandei ver um litro de óleo, mas não deu nem nível na vareta, mandei ver outro litro e outro litro, então pude perceber que algo havia de errado na moto.

A hora era 22:30 e fui procurar o mecânico, chegando lá ele disse que eu que não sabia colocar óleo na moto, então pedi para ele me mostrar como era... Ele foi fazer e viu que não dava nível e ficou sem graça. Hahahaha. Constatamos então que era a bomba de óleo que havia estragado. Como eu iria achar uma bomba de óleo às 23:00 horas?

Então fui pegar a Ténéré de um amigo meu, funcionei ela e fui na oficina buscar minhas bagagens, pois já era 00:00 horas e sairíamos às 04:00 horas. Então quando fui engatar a 5ª marcha na moto, ela começou a roncar uma engrenagem, e fiquei preocupado com o barulho e decidi não ir na moto do meu amigo, voltei na oficina, abrimos o motor da minha moto e tentamos arrumar, já era 05:30 da madruga e não obtive sucesso. Cheguei a conclusão que DEUS não queria que eu fosse naquela viagem.

Por força maior fiquei e cancelamos a viagem. Fiquei sentido com aquilo e meu amigo Israel decidiu então para nós marcarmos outra data. Então marcamos para o dia 17 de setembro.
Fiquei todo feliz, deu tempo de arrumar a moto beleza e programar bem a viagem. Ao chegar no dia despencou uma chuva de granizo na região e uma chuva bem forte onde estávamos. Fiquei triste novamente quando pensei que não iríamos mais viajar, porém meu amigo me animou e disse: “Ou vamos agora ou mais nunca”. Eu concordei, montamos nas motos e pegamos estrada.

Tomamos pouca chuva e não foi motivo de atrapalhar nossa viagem.

Foram 3 dias inteiros de viagem, andamos 870 km, asfalto, terra e fora de estrada também. Lugares que veículos comuns não chegariam jamais, somente motos trails ou 4x4.

Mas valeu a pena, pois, era tudo o que eu queria fazer, conhecer toda a Serra da Canastra, pois das outras vezes fui somente na parte alta, mas desta vez fui tanto na parte alta quando na parte baixa e em diversas cidades e vilarejos do lugar.


Na saída, tudo é alegria! hahaha Aqui já estávamos próximo à cidade de Sacramento - MG, Paramos para tirar foto da placa onde inicia o Circuito da Canastra, que na verdade é um complexo de várias cidades que compõe o turismo da Serra da Canastra.
Cidade de Sacramento - MG, uma bela cidade, bem conservada e agradável.
Hahaha. Esta foto foi uma senhora que tirou. Ela levou quase 5 minutos para mirar a camera e na hora de tirar a foto tirou somente de nossos pés. Ela perguntou se a foto havia ficado boa, o que eu poderia responder: Respondi que sim. rsrsrsrs
Descida para a gruta de Sacramento. Gruta na cidade de Sacramento. Aqui já pegamos a estrada de chão, já havíamos rodado uns 60km de chão e faltava mais uns 60 ainda. Começava a anoitecer e a primeira cidade que passamos nesta estrada chama-se Sete Voltas. Porém não tiramos foto, pois, quando chegamos na cidade todos ficaram olhando para nós como naqueles filmes de farowest quando os moradores ficam olhando com cara de desprezo os forasteiros.
Pouco metros atraz cruzamos com uma onça Jaguatirica. Ela não é tão pequena como me falaram. Estamos andando e ela deu um pulo no meio da estrada e outro do outro lado no mato, foi algo tão rápido que fiquei estático.
Infelizmente, as fotos pegavam só a placar por serem repletivas. Porque a noite estava escura ao extremo.
A vista que tínhamos era somente essa, ou seja, o que o farol conseguia iluminar.
Até que enfim. Depois de viajarmos 120 km de estrada de chão, chegamos à Delfinópolis - MG, uma cidadezinha bem pequena, mas de aspecto acolhedor.
Hora do rango. Eu tava mais faminto que a onça que encontrei. hehehehe
Depois de armar a barraca... Hora de cair no sono.
O Israel ainda tava armando a dele e eu já estava deitando para dormir. (Detalhe - cadê o banho? hahaha, não tinha como! não achamos choveiro neste dia, então um dia sem tomar banho.)
Quando acordei, tive esta linda visão de onde nós dormimos.
Nós dormimos no segundo piso deste posto. O frentista foi camarada e cedeu o espaço para nós armarmos a barraca.
Para variar, um pneu furado, na verdade foram 3 furos no pneu da moto do Israel. Mas nós desconfiamos que um furo foi da estrada e dois foi cortesia do borracheiro. hahahaha.
De volta a estrada, estamos agora 40km distantes de Delfinópolis, já passamos por várias cidadezinhas, e vilarejos. Esta estrada que pegamos estamos indo para a cachoeira do Luquinha e do Lobão.
Para pra foto...
Alguns techos realmente eram muito acidentados e bem difícil de passar, até mesmo com nossas motos.
Na estrada, além de pedrinhas... arainhas.
Cachoeira do Luquinha. Ao lado da cachoeira. Para para meditar

A água era realmente tão limpa e transparente que a primeira coisa que fiz foi beber e encher o cantil.
A cachoeira é um convite para o banho, mas a água é geladíssima.
Fiquei deslumbrado onde pode surgir uma vida. RECLAMAÇÃO: Esta é a fazenda que dá acesso à cachoeira do Luquinha e do Lobão, o dono é um mercenário, pois, teve coragem de cobrar R$10,00 de cada um para ir ver a cachoeira. Tõ louco!
Mas o lugar é bunitim. Paisagens deslubrantes a todo momento.
Belos campos e vales. Achamos estes loucos de Belo Horizonte - MG. Eles pararam agente para nôs dar refrigerante e tira-g0sto. Depois de muita recusa, tivemos que aceitar, eles estavam bem mamados. hahaha
Eles disseram que era para gente beber bastante água, porque daquele trecho em diante iríamos andar só em terreno seco. E foi bem verdade.
No meio do nada uma estrada de bloquete. Esta estrada fica muito a beira do precipício, por isso eles fizeram de bloquete, para que a chuva não levasse ela.
Esta era uma das fazendas que paramos para pedir informações, porém o pessoal não atendia, chamamos incessavelmente, mas eles não saiam para fora e nós escutávamos eles conversando. Acho que eles ficaram com medo e nós mais ainda de tomar um tiro de espingarda.

Tá achando difícil? Esta é a fácil, por isso que eu dei conta de tirar foto, as outras se fosse para tirar foto eu não estaria aqui... teria caído no barrando do precipício.
Aqui havíamos acabado de subir o obstáculo mais difícil que se chama Serra Branca. Esta subida é a parede da serra, muito ingrime e escorregadia, pois é feita de pedras soltas. O pessoal da trilha disse que nós não conseguiríamos subir, pois as motos eram muito grandes e pesadas, mas se nós não conseguíssemos, teríamos que dar uma volta de 60km. Entã agente arriscou subir e conseguimos.


Este foi o segundo tombo do Israel, ele passou em cima da lama com a roda da frente.... ae não precisa dizer mais nada né. Ele ficou preocupado com a gazolina derramar, mas eu não poderia ajudar ele sem antes tirar uma fotinha.

Quando levantamos a moto detectei um problema seríssimo; o passador de marcha tinha quebrado e estávamos à 28 km da próxima cidade e para piorar a situação não havia estrada, somente trilhas e muita pedra.
A moto havia parada engatada na segunda marcha, ele teve que andar 28km de segunda marcha: parar, arrancar, abrir porteira, descer ladeiras, subir serras, tudo de segunda marcha. Valeu Ti Israel, você provou que é um motociclista de primeira... quer dizer de segunda, segunda marcha. hahahahaha
Mas a moto aguentou muito bem e foi até a cidade cujo nome é São João do Barreiro. Lá encontramos um soldador que fez uma boa solda no passador de marcha que está lá na moto até hoje. Não quebrou mais.
Vendo a Casca D'antas bem de longe. Lá era nosso destino. Mas como a moto do Israel havia quebrado o passador de marcha, tinhamos que ir arrumar primeiro.

Enquanto o Israel seguia viagem sem parar, eu ia mais atraz parando e tirando fotos para nossa coleção.

Todo local era mais ou menos assim, muitas pedras e em alguns trechos tínhamos que passar sobre elas.
Uma descida báscima; foi uma das descidas mais difíceis que já executei na minha vida. Acho que essa descida era para ser feita de rapel e fizemos de moto. hahaha
Enquanto paramos no soldador da cidade. Detalhe: Ele era o único soldador da pequena cidade e quase nós não encontramos ele a tempo. Deixamos a moto do Israel arrumando, descarregamos a minha moto dos baús e fomos até a Casca D'antas que era apenas 5 km da cidade onde estávamos.

Lá achamos uma linda BMW GS1150.
Fotos da Casca D'antas. Lá no alto é o Mirante que tem 300mts de altura. Estaríamos lá no outro dia, pois para chegar até lá é uma viagem de 120 km de estrada de chão também.
Sei que a força da queda da água era muito forte só pelo barulho que ela fazia.
Para para um almoço expresso. Essa foi a única refeição "descente" do dia, pois o café da manhã foi um pacote de bolacha, o almoço foi miojo e esse almoço fomos comer à 18:00 hs.
Que bagunça é essa? Acreditem, não é lixo... são minha coisas. hahahaha
São Roque de Minas. Aqui era nosso ponto de preparação para a viagem de volta, porém agora voltaríamos por Araxá. Então seria uma viagem de 100 Km de terra mais 50 km de asfalto até Araxá e depois mais 180 até Uberlândia.
Recanto da Picareta do Sr. Chico. Em São Roque de Minas não há lugar melhor para se ficar acampado do que aqui. Ótima receptividade, sem falar no queijo canastra que é delicioso e está ali na mesa, só você se servir, um cafezinho e muita proza. Seu Chico com sua sanfona e muita moda.
No Recanto da Picareta a área de camping é bem legal, tem churrasqueira, pias e ótimos banheiros. Tudo muito bem limpo e concervado. E o preço é bem justo.
Barracas armadas... hora de tomar um banho. Este foi o único banho de água e sabão que tomei durante a viagem inteira, eu e o Israel. Pois nos outros dois dias ficamos só na estrada. Imagine o cheiro.... hahahaha Durante a noit passei muito frio, pois eu tinha dormido de bermuda, dae fiquei com frio. Mas foi beleza, chega a manhã, mais um café de bolacha recheada e pegar a estrada.
Chegamos na entrada do parque exatamente as 08:00 hs da manha, fomos os primeiros a entrar.
Nascente do Rio São Francisco.

Como muita sorte consegui ver e tirar foto do lobo-guará, pois das outras três vezes que fui, nunca tinha visto um.

Estamos na Casca D'antas um lugar magnífico pela sua beleza e imponencia da natureza.

Vista do Mirante. Um local de 300 mts de altura que dá para ver todo o vale.

Uma nascente com água bem fresca. O Israel tava me mostranto como ele bebia água nas nascentes quando era criança.

Outra visão magnífica de cima da cachoeira na cidade de São João Batista

Cachoeira da Gurita. ótimo lugar para se nadar

Bar o Sr. Vicente. ótima gente também.
As pontes como sempre não ajudam muito


De Serra da Canastra 17-09-2008



De Serra da Canastra 17-09-2008

Nesta hora meu cabo de embreagem rebentou e tive que rodar 30 km de estrada de chão e mais 100 km de asfalto sem embreagem.


De Serra da Canastra 17-09-2008



De Serra da Canastra 17-09-2008

Paramos em um posto próximo a cidade de Nova Ponte - MG, pois trombamos com um enxame de abelhas que por sorte não entrou no meu capacete que estava um pouco aberto, mas ferroou o pescoço o Israel. Aproveitei e troquei o meu cabo de embreagem, pois, sempre levo um cabo de lambreta mais um quebra-galho para emergências.


De Serra da Canastra 17-09-2008



De Serra da Canastra 17-09-2008



De Serra da Canastra 17-09-2008

Serviço terminado, vamos embora.


De Serra da Canastra 17-09-2008

Chegamos em Uberlândia por volta de 18:30, bem exaustos, pois a viagem foi muito bonita, porém cansativa.


De Serra da Canastra 17-09-2008

FIM.