Uberlândia à Serra da Canastra (Parte 1)

SERRA DA CANASTRA

“Existem certas coisas de minha vida que faço sem alguma explicação...” (Breno Reis Alexandre)

Sempre fui um aficionado em motocicletas, mas tê-las não era meu único desejo, precisava eu usa-las e viajar, e com ela ter uma cumplicidade e confiança como se fôssemos um só. É como se de alguma forma eu pudesse sentir o que se passa na moto e pudesse me comunicar com ela na estrada durante nossas viagens. Mas não é só eu e minha moto, pois existem também duas pessoas muito especiais para mim que sempre me acompanham. Uma delas é minha esposa, companheira e amiga que sempre encarou comigo as minhas aventuras e nunca se deixou enfraquecer nas mais terríveis dificuldades que passamos em todos os momentos na estrada, a outra pessoa é meu filho que sempre eu carrego em meu coração e tenho a responsabilidade de sempre voltar para casa... Porque sei que ele sempre estará lá me esperando.

Viajar de moto não é uma loucura como muitos dizem por aí. Viajar de moto é mais que isso, é um estado de espírito, é um sentimento único, é uma outra forma de ver e compreender a vida e as coisas que vão ficando no horizonte de seu caminho.

Depois da viagem para Salvador-BA fiquei sabendo por outros amigos meus motociclistas que a Serra da Canastra era uma aventura inesquecível, com paisagens e lugares incomparáveis, realmente uma sétima maravilha do mundo. Isto me despertou um grande interesse, apesar de ser perto à Uberlândia-MG cuja é a cidade onde moro, me advertiram que mesmo sendo perto exigia experiência para chegar até lá, pois, a estrada de chão continha muitas armadilhas, e me falaram que eu deveria ir em uma excursão primeiro para conhecer e só depois eu tentar ir de moto. Que bobeira, isto fez só despertar minha curiosidade e vontade de ir e me lançar ao desconhecido.

29 de Abril de 2006 - Sábado

Um amigo chamado Wellington, mas conhecido como Tom resolveu se juntar a esta aventura para a Serra da Canastra. Detalhe, nem eu e nem ele conhecia o nosso destino, mas com alguma experiência nós consultamos mapas que adquiri pela internet, mapas do Parque da Serra da Canastra e mapas do nosso percurso até lá.

Houve um certo atraso para nossa saída e acabamos saindo um pouco tarde, mais ou menos 14:00hs, nossa preocupação era conseguir percorrer o máximo que conseguíssemos durante o dia. Viajando na média de 100 à 120 km/h, chegamos em Araxá-MG por volta de 16:15, lá paramos um pouco para tomarmos água e tirar algumas fotos, mas isso nos custou um pouco caro, porque perdemos um tempo valioso.

Seguindo viagem andamos até a última cidade que possuía estrada asfaltada, a cidade se chama Tapira, uma pequena cidade à 52 km de Araxá, novamente paramos não sei pra quê, mas tudo bem, estávamos passeando e tudo era diversão. Perdemos novamente uns 30 minutos lanchando, etc. Dali em diante começava a pegar a estrada de chão, já bem no começo da estrada podíamos nos agraciar com belas paisagens, porém a estrada já era bem traiçoeira também, pelo fato da Ténéré ser bem pesada por si só, tínhamos passageiro e uma bagagem bem avantajada, o que dava a moto um peso fora do comum e isso atrapalhava um pouco em sua estabilidade já que a estrada era quase toda de pedras soltas e cascalhos.

No começo ríamos muito, porque quando não era meu amigo Tom que saía fora da estrada ou derrapando perdendo o controle total da moto, mas nenhum tombo, somente risos. A noite caiu bem rápida e tínhamos muita estrada de chão para rodar, na verdade eram apenas 52 km de estrada de chão, porém o trajeto e a estrada não ajudava em nada, a estrada estava bastante acidentada e bastante perigosa com muitas pedras soltas e as motos a todo momento derrapavam, isso nos dava uma viagem de 20 à 30 km/h no máximo.

A certa altura da estrada já era noite e os faróis da moto nada nos ajudavam, a Ténéré tem um sério defeito quanto à iluminação, pois mesmo ela tendo dois faróis, eles são precários e quando você vira a moto eles não acompanham o trajeto do guidão, isso deixa um pouco o piloto à deriva e se lança à sorte da escuridão. E foi exatamente isso que aconteceu comigo, chegando um trecho da estrada, ela literalmente desapareceu, devido a algum temporal que deva ter ocorrido em dias anteriores, a estrada ficou toda danificada ficando apenas valas por onde a enxurrada passou, como eu não havia enxergado tal desastre natural virei um pouco para direita confiando cegamente que ali ainda havia uma estrada, quando cai dentro de um enorme buraco onde minha moto encalhou, pelo fato de a moto ter ficado em um ângulo de quase noventa graus, o óleo do motor sopitou e foi aquela fumaça toda, no susto achamos que o motor havia sofrido alguma avaria e ficamos parados pensando em uma solução para tirar a moto daquele buraco, já que a mesma não sairia por si só, pois o peso sobre a mesma era realmente considerável de bagagens. Alguns minutos depois nos aparece um rapaz com sua esposa e criança em uma moto Titan, ele parecia um pouco apreçado, pedimos sua ajuda para retirar a moto, mas ele disse que não podia nos ajudar, pois estava vindo uma chuva e ele estava com sua criança e a mesma estava doente, mas de qualquer forma ele nos ajudou, pois ele nos mostrou o outro caminho que deveríamos ter entrado para não cairmos naquele buraco.

Chegamos a conclusão que ali não passaria ninguém para nos ajudar e teríamos que nos virar, então nossas esposas seguraram a bengala da moto puxando-a para frente enquanto Tom e eu levantamos a balança e conseguimos tira-la do buraco, aquilo nos arrancou um ar de vitória e superação e comemoramos nossa vitória.

Continuando nossa viagem, não tínhamos a noção de distância que estávamos da cidade de São João Batista, na qual era a cidade que deveríamos chegar. De longe começávamos a avistar algumas pequenas luzes, e começamos a nos animar, sabíamos que a cidade estava mais próxima, mas isso não nos eliminou dos perigos da estrada, por várias vezes minha moto e a do Tom derraparam e subimos em barrancos e saímos da estrada porque a moto se descontrolava, o maior pânico era porque não sabíamos o que havia fora da estrada. Eu sabia que a todo momento estava em encostas de morros e isso era um perigo eminente, pois se a moto derrapasse para o lado errado... seria realmente o fim dessa viagem.

Quando estávamos bem próximo a cidade, para aumentar mais ainda o desafio, começou a chover. Eu não imaginava que uma simples chuva poderia fazer tanto estrago em uma estrada de chão. Parecia até que a estrada era feita de açúcar e com a chuva ela começou a derreter. As motos por estarem bem pesadas começaram a afundar na estrada lamacenta e os pneus que não são próprios para este tipo de terreno se encheram de lama e se tornaram bastante escorregadios, quando não era o pneu de traz que patinava e afundava na lama, fazendo que nossas esposas descessem da moto e andasse a pé por alguns metros, era o pneu da frente que escorregava e nos aplicava um susto enorme.

Nossa adrenalina foi a mil, e míseros 1500 mts foi uma eternidade para ser percorridos, pois a estrada era feita somente de subidas e decidas com fortes depressões. Mas quando chegamos a cidade foi um alívio total, sabíamos que vencemos mais uma etapa desse desafio.

Nosso próximo passo era procurar um local para ficarmos, paramos no único bar da cidade o Bar do Vicente. Lá demos aquela esticada no corpo e fomos andar na cidade para procurar uma área de camping. A cidade não era difícil de andar, já que na mesma havia 150 habitantes, divididos em volta de uma praça e duas ruas de terra. Acabamos por decidir que o lugar que ficaria mais em conta e que também fomos melhor recebidos era realmente no Bar do Vicente, pois, no fundo do bar havia uma área de camping.

A chuva não havia parado, chuviscava bastante, mas mesmo assim decidimos armar as barracas, ligamos o farol das motos para iluminar o local para montarmos a barraca. Como estava chovendo, passamos uma lona por debaixo da barraca e por cima também, mas isso não foi uma boa idéia, porque quando a chuva aumentou a lona encheu de água, já que colocamos ela por baixo da barraca a água se acumulou e encharcou um pouco a barraca por dentro. (Péssima idéia)

A noite estava apenas começando, então fomos para o Bar do Vicente conversar e consumir. Por volta de 10:30 da noite, estávamos todos exaustos e fomos dormir. Particularmente, pelo fato de estar frio e ter chovido, eu dormi sem tomar banho, com a roupa que cheguei eu dormi também. Dormi sujo e cansado.

Pela manhã, quando acordamos, eu abri a barraca e vi quanto o lugar era lindo, pois, quando chegamos à noite não tínhamos tal visão de tão bela a natureza daquele lugar. Mas havia algo naquele lugar que me cheirava mal e descobri que era eu mesmo, pois já fazia um dia que não tomava banho, então fui providenciar um banho, já que na área de camping do Vicente havia banheiros para os campistas.

O nascer do sol daquele lugar é indescritível e faz você esquecer de todo o resto do mundo. Quando estamos na cidade esquecemos de observar tal obra da natureza e ficamos somente ligados ao trabalho e a vida capitalista, em um lugar como a Serra da Canastra tudo isso perde o valor e você realmente percebe que as coisas que nos fazem feliz, Deus já nos deu de presente e todos os dias elas se revelam para nós e não damos o valor necessário.

As fotos que verão agora, são fotos que dispensam comentários e que vocês compreenderão como é legal contemplar lugares criados pela mão de DEUS.

Saindo para a aventura.
Débora e Rejane
Teneré de Breno caiu em uma vala de enxorrada.
Tom e Débora após uma viagem cansativa.
Breno e Rejane também estão exaustos.
Área de camping do Sr. Vicente.
São Jão Batista (150 habitantes)
Rejane (mesmo assim... simplesmente linda)
Bar do Sr. Vicente.
Comida típica. Nome: João Deitado
Vista ao longe da Cascata da Gurita.

Cascata da Gurita
Entrada do Portão 2 do Parque
Riachos brotam em todos lugares.
Contemplando a beleza de DEUS
Olha que céu.
Parada para foto
O amor é lindo...
Vegetação do local...
São Roque de Minas vista do alto.
A chuva vem chegando...
Two friends forever.
Descida para a cidade.
Hotel 5 estrelas Pousada da Picareta.

Hora da higienização. rsrsrsrs
Nascente do Rio São Francisco.
Cachoeira Casca D'anta (Vista de Cima)
Cachoeira Casca D'antas (Vista de Cima)
Mirante (Altura: 300 mts em depressão)
Papel de Parede. rsrsrs

Indo embora para casa.

Para ver outras fotos que não foram postadas aqui, clique no link abaixo:

http://picasaweb.google.com.br/brenouberlandia/SerraDaCanastra2006