Olá Pessoal, estou de volta com mais uma viagem de moto para vocês, demorou muito, mas estou aqui com a minha XT 600, meu filho fazendo a sua primeira viagem e meu parceiro que sempre está comigo Israel em sua DR 650.
Nesta viagem houve alguns tombos, machucados, estradas intransponíveis que só uma XT e uma DR poderiam atravessar. Muita natureza, muita aventura, muita diversão. Curta aí as fotos que dirão por si mesmas e assista o vídeo com os melhores momentos.
DIÁRIO DE BORDO:
1º DIA: Partimos da cidade de Uberlândia - MG em destino à Serra da Canastra - MG passando por Araxá. A viagem correu tudo bem no asfalto.
Após 50 km de Araxá - MG na cidade de Tapira - MG que é a última cidade asfaltada e o último posto de gasolina antes de pegarmos a estrada de chão, daí logo na entrada da estrada de chão tivemos um imprevisto com meu parceiro Israel, logo estava falando com meu filho para ele ficar bem grudado em mim porque a estrada era traiçoeira e poderia nos derrubar. Quando olho no retrovisor da minha moto, onde estava meu parceiro? Ele havia sumido de minha visão, logo pensei: Ele caiu. Então voltei o mais rápido possível e lá estava uma sena que poderia ser pior se ele estivesse sozinho. O Israel havia caído de peito no chão com a moto em cima de sua perna prendendo o tornozelo, ele não podia se virar, desci da minha moto e ajudei, o tornozelo dele ficou um pouco inchado com algumas escoriações.
Depois deste susto partimos para rodar 50 km de estrada de chão até a primeira cidade da Serra da Canastra, a cidade de São João Batista, estrada de muito cascalho solto e acidentada. É um tipo de estrada mais para veículos 4x4, camionetes, e motos com pneus de trilha andam bem lá. Até a XT e DR escorregavam bastante nas pedras soltas e nas subidas ingrimes perdiam muitas vezes atrito com o solo tendo que subir devagar por causa do peso da carga que levávamos.
Após a cidade de São João Batista, fomos visitar cachoeiras na proximidade da cidade, paramos no alto de uma cachoeira para almoçar e contemplar a vista do lugar. O almoço foi uma farofa de carne feita pela minha mãe que levamos em vasilhas de maionese e dividimos entre nós três. Quanto a água potável nem nos preocupávamos, pois de 100 em 100 metros você vê água brotando de todo lugar.
Seguimos viagem entrando dentro do parque, nos informamos na portaria a respeito da Cachoeira do Fundão. O porteiro do parque falou que a estrada estava inacessível, e até máquinas como tratores que estavam trabalhando na estrada quebraram de tanto que a estrada estava ruim e que era um risco descer lá. Porém quando falam que é difícil ou inascível, parece que me desperta um desejo de vencer o desafio e perguntei ao Israel se ele topava e ele também animou. Foi um trajeto de 9 Km fora da estrada principal do parque. No começo a estrada estava boa, porém quando começamos a descer é que fomos deparar com o grande problema que tínhamos pela frente, era uma descida muito ingrime e de estrada estreita, que era impossível frear ou virar a moto para voltar, ou seja, ou você voltava ali daquele ponto ou encarva até o fim. O que fizemos? fomos até o fim, porém aos trancos e barrancos.
No meio da descida minha moto apresentou um problema, fiquei sem freio traseiro e freio dianteiro em estrada de cascalho e na descida é o mesmo que não ter freio. O freio superaqueceu e parou de trabalhar, pois, mesmo descendo engatado na reduzida da moto o peso nos fazia ganhar velocidade e exigia muito do freio, quando fiquei sem freio não falei nada para não preocupar meu filho que estava na garupa, pois ele já estava com medo só pelo simples fato de que a estrada era em uma serra e sair dela era cair no despenhadeiro. Então foi quando fazendo uma curva bem fechada, aquelas de cotovelo, passei sobre uma pedra enorme, perdi o controle da moto e caímos, ficamos presos debaixo da moto e meu parceiro não tinha como ajudar porque não tinha como descer da moto rápido, então consegui livrar a perna do meu filho e ele saiu, ficando somente eu debaixo da moto e a gasolina derramando sobre o motor. Meu parceiro Israel então conseguiu descer da moto dele, me segurou pela jaqueta e me puxou tirando eu debaixo da minha moto. Machuquei feio o joelho que sangrou durante os outros 3 dias de viagem, porque meu joelho caiu sobre a pedra e o tanque por cima do joelho. Mas para não passar pânico ao meu filho fiquei calmo durante toda a viagem mesmo sentindo muita dor.
Depois do susto chegamos até uma fazenda, onde tivemos que continuar uma longa caminhada a pé até a Cachoeira do Fundão, mas valeu a pena, pois a paisagem é de tirar o fôlego, é um paraíso deserto e escondido, muito bom, não dá vontade nem de ir embora, mas como o relógio não para, tínhamos que continuar nossa viagem, então tudo seria mais fácil agora, pois era só subir que acho bem mais fácil que descer e pronto. Porém quando estávamos subindo a DR 650 do Israel começou a dar pane, na verdade ela vinha dando pane desde o começo da estrada de chão apagando toda hora, foi até arriar a bateria e começarmos a dar tranco, porém agora naquela subida a moto apagava sozinha mesmo ele acelerando, tentamos de tudo, arriou a bateria, viramos ela para baixo, tinha que descer até o final ou em pontos que dava para voltar, mas quando preparava para subir a moto morria novamente, então vimos que não daria para sair dali, daí falei para o meu parceiro que buscaria socorro, como a estrada estava muito ruim, levei mas de 2:30 hrs para andar 20 km de estrada de chão, e cheguei então a noitecendo em São Roque de Minas, onde me informaram que havia um mecânico que tinha uma F250 e buscaria meu parceiro lá, então fui até ele e ele se propôs em buscá-lo, ele saiu para buscá-lo era às 20:00 hrs, ou seja meu parceiro ficou sozinho das 17:00 hrs até às 20:00 esperando socorro sem sinal de celular e sem saber se eu conseguiria, pensa que tensão.
Meu filho estava exausto e com fome, levei ele a uma praça da cidade para lanchar, daí bateu um sono fortíssimo e ele dormiu no meu colo na praça, eu não poderia ir a lugar algum, pois estava preocupado com meu parceiro, pois ligava para o celular do mecânico e nada de sinal. Liguei par minha esposa, expliquei a situação e ela começou a chorar, então coloquei meu filho em cima da moto e nós dois começamos a andar de moto sem destino na cidade só para manter ele acordado, mas chegou a um ponto que ele não aguentava mais, foi quando eu pedi a uma senhora o endereço de uma pousada e ela me indicou a pousada da Lia. Chegando lá fomos muitissimamente bem tratados por ela e seu esposo, é um lugar muito simples, porém muito aconchegante, me senti na casa da minha avó. Ela nos deu atenção, tratou muito bem meu filho e deu a atenção que uma criança de 10 anos precisa como uma avó faz com seu neto, nos deu comida, logo em seguida tomamos banho e coloquei meu filho para dormir em uma cama quentinha e aconchegante, daí quando foi meia-noite o mecânico me ligou dizendo que havia acabado de conseguir sair do lugar onde a moto estragou e estava indo para a cidade aquela hora. Ufa, fique mais aliviado e pude dormir tranquilo esperando ele chegar na pousada. Ele chegou era por volta das 02:00 hrs, tomou um banho, comeu e foi dormir também, porque todos nós estávamos muito cansados. Assim encerrou nosso primeiro dia de viagem.
2º Dia: No segundo dia acordamos, deixei meu filho na pensão da Lia vendo TV enquanto fomos na oficina olhar se já haviam resolvido o problema da DR 650, aproveitei e dei um reparo na minha em algumas coisas que precisava também. Pois a estrada judiou bastante das motocas. Foi feito um checkup geral, limpou carburador, colocou filtro de ar que não tinha na DR 650, trocou bateria que estava ruim, gastou uma grana, a moto funcionou e saímos para pegar meu filho e seguir viagem. Daquele ponto em diante era só asfalto e belas paisagens. Passamos por lugares muito bonitos como o Canyon da represa de Furnas, lugar magnífico, vimos cachoeiras na beira da estrada e lugares maravilhosos para tirar foto. Foi um ótimo dia sem problemas e só diversão. Fomos até o Paraíso Perdido, chegando lá achamos um absurdo o valor cobrado, pois exploram muito o turista naquele lugar. Eles queriam cobrar 60 reais para agente entrar duas horas da tarde e ficar até seis horas da noite, depois mais 60 reais para acamparmos ali, depois mais 60 reais para ficarmos mais o outro dia, isto por pessoa. Desistimos de entrar e íamos embora quando vimos uma placa escrito Recando Pé da Serra, e fomos para lá, chegando lá fomos bem recebido, diferente da recepção do Paraíso Perdido que nem deixaram nós descermos das motos, lá foi cobrado 25 reais por pessoa para ficarmos daquela hora até o outro dia e para nossa alegria neste lugar dava acesso ao Paraíso Perdido também, só bastava andarmos um pouco no rio e chegamos nos lugares que nós queríamos. Foi muito bom.
Neste dia fomos dormir bem cedo pois já armava uma chuva e o tempo esfriou. Quando foi por volta das 22:00 a chuva caiu muito forte e a enxurrada começou a alagar minha barraca, acordei meu filho peguei tudo de dentro da barraca e levei para uma varanda, depois pedi para meu filho correr para lá também, e peguei a barraca e levei para lá, sequei a barraca, coloquei nossas coisas lá dentro e voltamos a dormir, por sorte meu colchão é inflável e ficamos sequinhos, se fosse sacos de dormir teria molhado tudo. Passamos o resto da noite dormindo e curtindo a chuvinha que caia na barraca levemente.
No dia seguinte fomos dar uma volta no Paraíso Perdido, confesso que achei que o lugar era algo a mais, não desprezando a sua beleza logicamente, mas pelo nome e pelo preço que cobram achei que o lugar era uma lugar tão diferente que nem pertencia a este planeta, é muito bonito lógico não posso negar. Então andamos e passeamos bastante, com alguns tombos, pois as pedras escorregam bastante e depois tomamos a direção de volta para casa, pegamos chuvas leves no caminho mais foi tudo ótimo, principalmente porque meu filho estava ali comigo dividindo aquela aventura maravilhosa.